segunda-feira, 30 de junho de 2008

Desconfiando das certezas

Os Valores não são simples e não fazem sentido. Não passam de crenças. Sim, crenças, pois idéias e palavras não são confiáveis, nenhuma delas, nem mesmo estas.
Sentido é algo que nós inventamos para mapear as coisas, para poder esperar por elas. O que nos torna humanos, é, talvez, a nossa capacidade de prever. Saber o que vai acontecer em uma certa circunstância, com um certo número de fatores que podemos perceber influenciando essa circunstância. Damos sentido para as coisas para que elas possam ser analisadas dessa forma. Dar sentido é como dar nomes, é como uma linguagem de esperança, esperança de que o que vai acontecer não nos cause mal. Só prevemos que um trem chegará ao seu destino porque sabemos que o sentido dos trens é chegar a algum lugar. Eles não precisam, não tem qualquer obrigação de fazer isso. Esperar algo assim de uma pilha de ferro não faria sentido. Damos o sentido as coisas para que se tornem previsíveis.
Isso funciona muito bem com nossos engenhos materiais. Daí, tentamos estender isso aos nossos universos internos. Da mesma forma como nos preocupa que nosso trem não chegue ao nosso destino, nos preocupa saber que qualquer lugar poderia ser o nosso destino, que temos poder de decisão.
O sentido e os valores das coisas subjetivas são atribuídos por nós mesmos, na tentativa de tornar aquela possibilidade a única viável. É uma forma de nos enganarmos sobre a liberdade que temos, e sobre a dor da escolha.

Por isso, desconfie de suas certezas, nunca deixe que algo pareça absoluto. Tudo que parece absoluto se desfaz com o vento.

Não deixe que suas crenças te impeçam de ver que as coisas podem ser exatamente como precisamos que sejam.
"Homens convictos sao prisioneiros." (Nietzsche)

1 comentários:

Ramon de Alencar disse...

...
-´´Tudo que é sólido se desmancha no ar´´(Marx)