quarta-feira, 30 de julho de 2008

Autobiografia

Já nasceu estranha, raquítica e toda roxa, quase morta (Quase?). Cresceu desengonçada, uma piada para os outros e uma angustia para si mesmo. Com o decorrer do tempo acostumou-se a omitir-se do mundo e evitar a vida. Mas ficava o antagonismo entalado na garganta: Desejo X medo; Razão X emoção. Uma briga que ela sempre saia perdendo.
Sentia que a vida era apenas uma passagem efêmera e seu lugar não era aqui. Pois “o aqui” era uma prisão, e seu coração transbordava de saudade, contudo se angustiava já que não sabia do que sentia falta. Talvez fosse falta dela mesma, já que ela nunca esteve integralmente “vivendo em sua passagem efêmera”. Ela esperava, e esperava por voltar para casa, desejando sentir-se caber em algum lugar enfim.
Em espera, passou mediocremente em vão o tempo e certo dia arrumando o cabelo perante sua imagem viu uma estranha velha que não tinha nos olhos a sabedoria de vida, pois desta escola ela havia cabulado as aulas. Não se conhecia e não se acostumava com aquele mundo e corpo estranho. Viu cabelos brancos sem experiência, viu velhice apesar da pouca idade, viu paralisia do medo e angustia de não saber o que fazer. Resolveu então escrever seu epitáfio: Libertei-me de mim. Terminou de arrumar o cabelo e levantou-se morta de cabelo impecável para continuar a vida paralisada por fora e agitada por dentro, apenas esperando.

4 comentários:

Anônimo disse...

Nossa, você escreve bem!

Anônimo disse...

Amanda eu não sabia dessa sua veia de escritora, mandou muito bem!

bj!

Sorriso de anjo disse...

adoro esses desconhecidos que me conhecem... risos

Ramon de Alencar disse...

...
-Amanda, foi quase um lágrima...uma lágrima chorada pela areia do Tempo...