terça-feira, 19 de agosto de 2008

Continuar

Acordara num sobressalto, buscando ar e consciência. Mas não conseguira chegar ao alivio, saiu de um pesadelo para a vida - para onde fugir? – Em seu sonho corria angustiada em um labirinto, sem saber aonde cada caminho poderia levar, mesmo assim, tinha que escolher e continuar, mesmo em meio as suas quedas e tropeços, continuar, com falta de fôlego e diretrizes, não podia parar.
Ainda recuperando a consciência, se levantou da cama, meio que no piloto automático, engoliu seu café da manhã, seus remédios e continuou, pois a vida é sempre uma reticência – queira você ou não – há de continuar. Levantando ou não você da cama.

sexta-feira, 15 de agosto de 2008

Vergonha dos pés

Têm coisa mais feia que os dedos dos pés? Os meus são demasiadamente compridos, gerando doloridos calos quando preciso usar sapatos sociais fechados (não entendo de moda mas acho que todo sapato social é fechado). Sandália é definitivamente melhor (de preferencia rasteirinha), os dedos se espalham adequadamente nos vossos respectivos tamanhos. Um amigo me disse que para constranger uma pessoa metida basta falar mal dos pés dela (Isto, definitivamente, constrange qualquer pessoa).
Mas, hoje eu me senti muito feliz- e vingada- quando vi os dedos de minha analista, ela poderia ser pianista comos dedos dos pés, praticamente uma mão e ela ainda pintou de vermelho. Não tenho coragem de pintar os dedos dos pés, o indicador parece uma lombriga e passa do dedão – Reza a lenda que tal característica significa que tal pessoa será viúva. Deus me livre, eu quero morrer primeiro que meu marido. Está decidido o homem que me pedir em casamento terá de ter como pré requisito o dedo indicador do pé BEM maior que o dedão. - Sim mas eu falava sobre o quê mesmo? Ah, que eu não pinto os dedos dos pés, além do problema da lombriga, tem o dedo mindinho. Esse é feio, sabe o Corcunda de Notre Dame? Pronto ele tem um calombinho lateral, nada charmoso, além de quase não ter unha para pintar (8 dedos visivelmente pintados não é exatamente charmoso).
Mas posso dizer que ganhei o dia e um motivo (terrível, confesso constrangida, mas ao mesmo tempo fingindo constrangimento para parecer boazinha) para voltar cada semana para terapia, só para olhar para uma pessoa que têm os dedos dos pés maiores que os meus, chego a ter vergonha por ela... mas saio de lá terrivelmente adorando os dedinhos dos meus pés.

terça-feira, 12 de agosto de 2008

Dualidade do meu ser

Estou sem palavras, às vezes elas me somem. Definitivamente detesto minha falta de eloqüência. Quero falar, vomitar o que sinto na cara de alguém, mesmo uma prostituta paga para me analisar e descobrir tudo que eu já sabia.
Quero ser forte para ajudar todos os amigos e passar para eles amor e esperança.
Quero tantas utopias, preocupo-me excessivamente com problemas insolúveis ou banais... Perco meu tempo e deveria estar vivendo.
Alimento meu ego de coisas materiais e futilidades. Uma narcisista talvez, mas antagonicamente odeio-me. Eu sou esse antagonismo de luz e sombra. De falta de palavras e prolixidade...
Sou esta dualiade...

domingo, 10 de agosto de 2008

Meu cachorrinho lindo

video

Esse é meu cachorrinho lindo, a animação da casa, uma graça uma fofura... folgadooooooooooo que só ele!!!

sábado, 9 de agosto de 2008

Diálogo

A: Você é meu companheiro.
B: Hein?
A: Você é meu companheiro, eu disse.
B: O quê?
A: Eu disse que você é meu companheiro
B: O que você quer dizer com isso?
A: Eu quero dizer que você é meu companheiro. Só isso.
B: Tem alguma coisa atrás, eu sinto.
A: Não. Não tem nada. Deixa de ser paranóico.
B: não é disso que estou falando.
A: Você está falando do que então?
B: Eu estou falando disso que você falou agora.
A: Ah sei. Que sou teu companheiro.
B: Não, foi assim: que eu sou teu companheiro.
A: Você também sente?
B: O quê?
A: que você é meu companheiro?
B: não me confunda. Tem alguma coisa atrás, eu sei.
A: atrás do companheiro?
B: É.
A: Não.
B: Você não sente?
A:Que você é meu companheiro? Sinto sim. Claro que eu sinto. E você não?
B: Não. Não é isso. Não é assim.
A: Você não quer que seja assim?
B: Não é que eu não queira é que não é.
A: Não me confunda, por favor, não me confunda. No começo era claro.
B: Agora não?
A: Agora sim. Você quer?
B: O quê?
A: Ser meu companheiro
B: Ser teu companheiro?
A: É.
B: Companheiro?
A: Sim.
B: Eu não sei. Por favor, não me confunda. No começo era claro. Tem alguma coisa atrás, você mão vê?
A: Eu vejo. Eu quero.
B: O quê?
A: Que você seja meu companheiro.
B: Hein?
A: Eu quero que você seja meu companheiro, eu disse.
B: O quê?
A: Eu disse que quero que você seja meu companheiro.
B: Você disse?
A: Eu disse?
B: Não. Não foi assim: Eu disse.
A: o quê?
B: Você é meu companheiro.
A: Hein?

(do livro morango mofados de Caio Fernando Abreu)

quarta-feira, 6 de agosto de 2008

Querer não querer

Não queria querer, quero a liberdade de escolha sem coação biológica, não quero seguir o ciclo natural da vida. Não querer querer implica em angustia, ou se vive o resto da vida lutando contra si mesmo, ou se entrega as condições exigidas pelo rumo natural dos seres humanos.
Quero paz e sossego, “batalhar-me” é exaustivo, entregar-me é impossível. Pode ser insanidade de minha parte, sonho utopia, mas, se eu não quisesse mais querer, se me livrasse dos sentimentos, então não viveria de dúvidas.
Ou se rende, ou continua batalhando (em luta eterna). Render-se é um risco altíssimo, expondo-se a dor e ao ridículo (além de estar a mercê das mentiras dos outros). Render-me é tudo que eu quero, por isso tantas vezes me exponho ao ridículo de esperar de amar de tentar... Contudo, o que eu mais desejo mesmo é querer não querer. (não adianta me julgar, só é capaz de entender quem sente, e ninguém me sente)

domingo, 3 de agosto de 2008

A espera

Espero alguém que sei que não vêm, sabendo que sua falta é reflexo do seu desinteresse, porque ainda espero, preparo-me?
Espero sem esperança, faço dos pensamentos um calvário regurgitando baixa estima. Já nem sei se atraio ou se prevejo o que há de vir... É que algumas situações são óbvias e ficam claras desde o começo. Mas mesmo assim eu ainda espero, espero ser surpreendida, espero estar errada, perder para mim.
Outras vezes, espero sem nem saber o que estou esperando... Simplesmente nada nem ninguém... Alguém que ainda não conheço e não me atrevo a imaginá-lo.
Não queria querer, assim não esperaria.
Um dia ainda serei evoluída a ponto de não me importar.

sexta-feira, 1 de agosto de 2008

Menos um



Eu achava que era, sentia como tal... mas nem tudo que vemos consiste na realidade propriamente dita, ou virtualidade dita, ou não dita já que nem tudo é preciso dizer apenas sentir... Eu sentia, contudo quando não se é reciproco então não existe.

Amigos vão e vêm, pessoas passam por nossas vidas... mas é difícil achar afinidade em todas, sobretudo quando se é diferente...

"onde uns vêem pedras pisadas, outros veem gnomos e fadas"

Eu via fadas onde só tinha pedras pisadas...